Eu escrevia e escrevia muito
Com grande velocidade
Estava com 16
Na aula de física
Apaixonado pela vida
Escrevia sobre a morte
Minha professora notou que eu fazia muitas anotações
E que eu parecia um pouco distante da realidade daquela sala
Pediu para ler o que eu escrevia
Mostrei o caderno de física
Cheio de linhas desesperadas, de amor, ódio e uma tensão
O pressentimento de uma morte que não chegava
Que não bastava!
Quando ela terminou de ler me perguntou:
Porque você não escreve sobre física?
e continuou...
Faça uma poesia didática!
Eu respondi meio sem pensar:
Não escrevo sobre isso porque isso não me toca.
Foi a última aula de Cláudia na escola.
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