- Decifra-me
- Devoro-te
- Não decifra-me
- Devoro-te
- Devoro-me
A saudade foi leito
- Nasci!
E sem suportar a saudade do ventre
- Vivo!
Então afasto-me dos queridos
Os amores não são caprichos
É que sinto saudades demais
- E devoro-me!
Autofagia molecular, exaustão de pensar
A Yansã me faz mudar com muita dor
A Ogum, me deixa ansioso demais para o próximo segundo
Quero saber de tudo
Conquistar um coração
Quando surge um amor
Desistir vira impossibilidade
Amor é sentimento raro no meu peito
que tem muito de filho e pai
Então minha tempestade retorna
e por já ter vivido outra em tempos não muito longínquos
eu me desespero.
- Mas a história não se repetirá.
Semente de flor amarela e brilhante
Ainda é verde, lisa e amarga
A flor me fez espirrar mas o fruto me fez amar
Com o tempo tudo se transforma
O homem se transtorna
Eu não sei mentir,
Nunca menti sobre isso
Então digo por mais estranho que pareça
não suporto a saudade no meu peito
e por mais que esse desspero
me dê impulsos de retirá-la daqui
eu não quero tirar
não dessa vez.
Preciso dar uma chance, para.
para que meu coração cresça
ou exploda
Ah! que não sei ser meio termo
Ah! que não aprendi a me controlar ainda
e peço que puxe minhas rédeas
Sonho demais e faço coisas demais.
Tenho muitas coisas, e ao mesmo tempo tudo que tenho
pode vir a ser nada.
Se o mundo que me atravessa
Me dilacera com suas espadas
O mundo que me ignora
Prepara pra mim um caldeirão de lava
Eu sonho com você porque é a saudade que controla meus sonhos
Eu arrumo e desarrumo meu quarto para ter ocupação
Ocupo-me com coisas
Apaixono por lápis e pincéis
e idéias de um teatro tolo!
Idéias de teatro tufão!
Mas a saudade sempre se faz presente no meu peito.
Saudade doce
Saudadocê!
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