2011-03-13

cão, leão.


Tenho precisado entender as coisas. Conversar e não parar de ouvir. Preciso ouvir. Mas ouvir necessita silêncio. Ontem na rua tivemos um momento que lembrou silêncio. Era um sem-carros passando. O som do último ainda pode ser ouvido. Diminuindo. Esperamos com ansiedade o silêncio chegar quando o motor não pudesse mais ser ouvido. Quase ouvi o silêncio chegar. Quase ouvi o silêncio em uma rua hoje. Ontem isso aconteceu e hoje eu lembrei. Olhei nos olhos da moça, olhos que pediam silêncio. Dentro do coletivo eu ouvia música. Gosto de chamar ônibus de coletivo. Não existe uma forma certa de escrever as coisas. Tenho precisado entender as coisas. Lembrei-me disso e das aulas de dramaturgia, escrever pode ser liberar-se e ver resquícios de liberação.
Ler requer liberdade. Quando se lê uma obra de arte é preciso livrar-se de si. Livrar-se de si é quase impossível de tão difícil. Soho, house, sonho com outro modo de ser. Não insisto em estar insatisfeito com o que sou. Não por romantismo. Nem sempre fui assim. Sempre quis lo mejor para mim. Sempre quis lo mejor. Nunca foi pesado querer alcançar as estrelas. Sou escravo das idéias coletivas. Sempre a procura da melhor. Da mais sincera.
Hoje a gente pode brincar. Não existe nada que eu mais goste de fazer do que brincar. Gosto mesmo. Como um cão e um leão, filhotes que mordem com farsa, vou mordendo para aprender os limites da força e para ganhar força.
Preciso de um ponto final. Não desejo compreensão. Sou um homem que não tem medo de amar. E tenho uma enorme vontade de ser amado de verdade, sem poses ou... sorrio surpreso comigo. Por ter pensado isso agora. Tenho um sorriso surpreso, um sorriso de criança, tenho saudade. Cresci tanto! Fiz flor encantada. Aprendendo a não ser ciumento.
Só caio de grandes alturas, porque vôo alto. Voei longe e com medo, enfrentando o medo. Voltei para o chão em velocidade máxima. Machucar é preciso.

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