2011-03-01

Doce lar

Ele era assim, doce
E gostava tanto de açúcar
Que colocava dez, vinte colheres no café
que comia com rapadura
Ele nasceu pobre, apaixonado por açúcar
Ele gostava tanto de açúcar que
Cresceu e foi cortar cana
Ele gostava tanto do sabor doce
Que queria colocar o nome de sua filha,
Filha que nunca teve, de Cristal
O filho que nunca existiu chamaria Mascavo.
Sonhos de criança, entre outros sonhos
Ser bóia-fria, cortador
Ele cortava, suor e vida caiam pela lavoura
Regando a riqueza de sua terra
Ele gostava tanto da doçura
Que não se importava em ficar com a menor parte
Quase nada, só com o gostinho
Passou o tempo e só o cheiro já lhe satisfazia
O cheiro da cana cortada
Passou o tempo e estava devendo ao dono das terras
Mas continuava, pelo amor a doçura
Pelo amor a doçura
Até que cansado
Exausto encontrou o doce lar.

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