2011-05-08

Declaração de simpatia:

Eu vivi durante muito tempo em meios hostis. Agressivos e violentos.
A escola, a rua e até aonde eu treinava futebol eram lugares que me deixavam assustado quando era moleque, tinham dias que eu nem queria sair de casa.
Meus pais sabiam que um sorvete poderia mudar tudo.

Então eu fechava os olhos e rezava para o passeio acabar logo, eu detestava lugares muito cheios, e ainda detesto. Feira Hippie não!! Por favor!!!
Aqui era o lugar mais seguro, quase sempre o mais seguro, minha casa.

Tudo isso por uma série de fatores (raça, vergonha, excesso de peso) das quais a minha relação com as pessoas é fundamental. Hoje percebo que conviver com pessoas com as vidas abertas me fez mudar muito.

Claro que a mudança começou bem antes, na própria escola aonde eu cansei de levar socos e resolvi jogar uma mesa no coleguinha mais insuportável que alguém jamais teve.

As pessoas da qual estou falando falam bom dia, assim como eu sempre falei mas nem sempre ouvia a resposta, dão sorrisos quando você sorri, emprestam suas coisas sem medo e te ajudam a viver com leveza.

Alguns desses amigos dizem que ainda tenho um espírito de criança, eu gosto de ouvir isso. Pois essa criança que chamo de Ravy, ou o sol se preferirem, precisa viver o que não conseguiu viver enquanto eu era criança.

O menino está no meu plexo solar
Ilumina meu sorriso e me ensina a amar
Com ele reconheço no vento o carinho
E no fogo que aquece sei que não estou sozinho

Ele aparece quando é chamado
Para uma brincadeira de roda
Ou convocado como soldado
Quando aparece não incomoda

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